a vida segue seus passos.........

.... e segue normalmente.
Tenho pensado e repensado muito na minha fragilidade desde que fiz esta cirurgia.
Do momento que tive a dor que não parou e a minha vontade de ir procurar ajuda em um pronto socorro. A espera pelo atendimento, os exames, a medicação e por fim o veredito: tem que operar com a guia de internação nas mãos. Parece que o mundo parou naquele instante e só ficamos eu e o médico naquela salinha pequena do P.S..
Que coisa mais doida... Tive que tomar a decisão ali mesmo, com o olhar dele e a fala: SE NÃO OPERAR, VOCÊ MORRE!
Na situação que eu estava não tinha como escolher.
Só consegui voltar para minha casa, cuidar do cachorro, arrumar minha bolsa, ligar para minha mãe vir para cuidar de mim, chamar um taxi e voltar para o hospital.
Enquanto esperava o taxi chegar, passou uma história na minha cabeça.
Fiquei olhando minha casa, minhas coisas, meu cachorro e por um instante a sensação de deixar isso e simplesmente não voltar mais me deu um aperto no coração.
Estava eu ali fragilizada e sem opção de uma resposta contrária a isso.
Mais uma vez, o silêncio e a sensação de parada no tempo de novo.
Naquele momento que parece uma vida me dei conta da fragilidade e da sutilidade da vida. Parecia uma despedida de tudo material. Não to falando só em morte física, mas em morte de conceito... Do desapego mesmo. Em um momento estamos aki mesmo enraizados e daqui a pouco nem temos mais controle poder de nada. Nem do próprio corpor.
Pude constatar que realmente este corpo me foi emprestado para esta existência. Não me pertence. Nem ele pode atender as minhas vontades.
Tudo o que é meu não é meu. Está somente emprestado para que eu possa usufruir e simplesmente quando não mais for necessário, será retirado para que a minha alma possa seguir a a jornada.
E ai me enchi de força e fui para o hospital. Fiz os exames necessários, fiz a cirurgia, fiquei lá, e aqui estou eu pra contar história mas com uma visão diferente de tudo hoje.
Poucas pessoas se propuseram a me ajudar e muito pouca ajudaram.
Meus pais estão aqui desde o primeiro dia e já de saco cheio de ficar aqui, afinal de contas, deixaram a vida deles para cuidar da minha. Só eles fazem isso.
E o Douglas que falta até do trabalho para ficar comigo no médico.
Do mais..nada e nem ninguem.
Algumas mensagens, poucos telefonemas. Familia? onde estão? uma teve a coragem de vir aqui, conversar 10 minutos e pediu para ligar a tv para ela ver a novela. VAI TOMAR NO CU. Não preciso disso não.
E por estas e outras a gente percebe que só temos valia se estamos bem e podemos proporcionar alguma coisa, porque caso contrário somem todos.
Mas tudo bem. Vamos levando e tentando aprender com as realidades e o nosso dia a dia o que é necessário e como somos.
Não é tristeza que sinto, mas um certo descontentamento por fazer pelos outros e não ter retorno. Mas é assim. Só fazemos o bem.
Sigo em frente....


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